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Crônica de GRADIVIND
26/11/2011
Eu Sou A Lenda
25/11/2011

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28 de Agosto

Viva a Resistência contra o Império do Caos.

Camarada Capivara
25 de Agosto

Pois é rapaziada, o Hezb*** é um partido político, só que como a Siria não tem exército, o braço armado deles é que ocupou esse espaço e faz a proteção das fronteiras do país, e tamo aqui mais uma vez desmistificando e informando, curte meu trampo?

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Pix: amalazuos@bol.com.br


19 de Agosto

O primeiro episódio de LANTERNS na HBO MAX, apesar de sua boa qualidade intrínseca, escancara de uma só vez a essência do novo DCU de James Gunn, de uma forma quase benevolente: a dessacralização, mundanização e degeneração dos super-heróis. Tanto no bom quanto no mal sentido.

Ora, o Snyderverso, que abrangeu de forma plena os 5 primeiros filmes do DCEU, e ressoou em alguns outros posteriores, tinha como principal característica o reforço da característica divina dos personagens. Algo que já tinha sido ensaiado em Superman Returns (2006), mas a partir de Man of Steel (2013) passou a ser potencializado. Os super-heróis, como seres super-humanos, eram visto mais ou menos da forma que tenderiam a ser vistos na realidade: como deuses!

Ora, se até pessoas absolutamente normais no mundo real, costumam ser divinizadas, imagine o que a humanidade não faria com seres literalmente super-humanos!

Mas a intenção do Gunnaverse é oposta, é a humanização do divino, a mundanização dos super seres, e sua inevitável degeneração. Pois essa mundanização vem sendo feita há décadas das mais diversas formas possíveis. O simples fato dos super-heróis perderem aquela pose de moralidade perfeita já é um passo importante. Os próprios Homem-Aranha e Hulk, surgidos na década de 60, nasceram dentro dessa proposta, e até aí temos apenas inovações bem vindas, ainda mais considerando que o Universo Marvel sempre teve esse direcionamento mais mundano que o Universo DC.

Mas essa progressiva dessacralização, não parando, só poderia levar a um processo de depravação, pois uma vez que o divino decaiu para o humano, o humano superior decai para o humano inferior. Então não é simples questão de termos super seres que devem lidar com vulnerabilidades humanas ou dilemas mundanos, mas precisam decair para níveis mais baixos de humanidade.

Por isso enquanto o Super-Homem de Snyder/Cavill, malgrado enfrentasse sim dilemas humanos, ainda tinha uma aura divina e literalmente reconhecida pela humanidade, o Sub-Homem de Gunn/Corenswet é um homem imaturo, incapacitado, desprezado pela humanidade e que chega o ponto de se submeter a um sistema de "justiça" evidentemente corrompido.

Já a Supergirl, como vimos, é uma beberrona depressiva, o Lanterna Verde Guy Gardner é um narcisista cafona e arrogante, a Mulher Gavião uma assassina desbocada e mesmo o Mr Terrific um ególatra com estranha afetações histriônicas. E sim, eu sei que isso já vem das HQs, só que as HQs NÃO TÊM SÓ ISSO! Elas tem uma vasta paleta de personalidades e tipos diferentes, dos quais James Gunn escolheu esses! E nem preciso comentar o que vemos na série PEACEMAKER.

Aliás, compare os personagens de Suicide Squad (2016) com os de The Suicide Squad (2021) para ter uma evidência estelar do que estou falando.

E então temos a série LANTERNS, e o que vemos? Um super-herói de âmbito galáctico, que poderia estar viajando para outros mundos e lidando com guerras espaciais, não apenas reduzido a um detetive de segundo escalão em cidades interioranas numa sub trama mundana, mas que ainda por cima é um alcóolatra, arrogante, errático e que se submete a leis locais incapazes de lidar com ameaças extra terrestres, e voluntariamente se coloca a mercê de burocracias e cegueiras locais de pessoas comuns sem o menor senso da realidade deste universo ficcional.

Por sorte, a estória é agradável e bem conduzida principalmente quando você se esquece ou não faz ideia do que são os Guardiões do Universo ou a Grande Bateria de OA. E é verdade que já vimos nos quadrinhos estórias similares, em especial na época da parceria entre Lanterna Verde e Arqueiro Verde, super-heróis cuja única coisa em comum é a cor! Mas, novamente, nos quadrinhos não temos só isso! Embora haja sim estórias onde um ser com poderes cósmicos capaz de viajar para qualquer ponto da galáxia pelo hiperespaço esteja enfrentando assaltantes de beco em Nova Iorque, temos estória de âmbito vastíssimo, com viagens interestelares, conflitos em civilizações alienígenas e tramas dignas de Star Wars / Star Trek.

Mas o que James Gunn escolhe?

E sendo sincero, eu sequer estou pedindo pela escolha contrária, pois sei muito bem a porcaria de visão "cósmica" do autor de Guardiões da Galáxia, que reduz todo o universo a uma paródia suburbana dos EUA. Quero apenas pontuar que nunca o pressuposto do diretor ficou tão evidente justamente numa obra bem acima da média!

E sendo ainda mais sincero, o conceito de Lanterna Verde é, a mim, o que há de melhor em todo o Universo DC. Se eu tivesse que escolher um super poder do panteão mais famoso de qualquer dos universos (deixando de lado aqueles seres onipotentes), seguramente eu iria querer ser um Lanterna Verde (já compus canções sobre isso na minha adolescência).

Mas ao mesmo tempo, porém, grande parte do desenvolvimento e da aplicação desse conceito nos próprios quadrinhos sempre foram problemáticos. Os próprios personagens escolhidos para empunhar o anel esmeralda nunca me agradaram realmente, e mesmo o modo como o anel funciona, na maioria dos autores, incluindo sua vulnerabilidade à cor amarela, quase sempre foi mal desenvolvido

Com esse background, admito que a série LANTERNS em si não me decepcionou realmente, apenas serviu pra ilustrar a questão do Gunnverso sob um prisma mais claro. O que nem deveria ser surpreendente para quem não apenas não odiou, mas até gostou razoavelmente do filme de 2011 com Ryan Reynolds. E sim! Gostei do Guy Gardner em Superman!

Vamos ver o que a série nos reserva nas próximas semanas.

ATUALIZAÇÃO! Eu havia escrito um review do segundo episódio, mas um bizarro crash no sistema do Facebook sumiu com meu post e nunca tive paciência para reescrevê-lo. Então fui vendo a série episódio por episódio mas acabei decidindo comentar só ao final. E nem sei se irei fazê-lo. Apesar de ter havido bons momentos, o resultado final foi uma desgraça absoluta onde nem os elementos mundanos que haviam sido bem desenvolvidos se salvam. (08/10/26)

12 de Agosto

Como evitar que os EUA deflagrem a guerra civil no Brasil? (Invadir nem precisa, a corja bolsonarista tá aí pra isso!)

12 de Agosto

A melhor pergunta a fazer hoje é: Como ajudamos os EUA a evitar uma guerra civil? E a melhor resposta é: Nada!

11 de Agosto

Como antecipado em 25 de julho, agora comento o novíssimo AVATAR AANG: THE LAST AIRBENDER, animação longa que deveria ter sido lançada nos cinemas não fosse ter sofrido o mais traiçoeiro vazamento da história, pelo impacto que causou, forçando os produtores, num ato de covardia, deve-se admitir, a não apenas lançá-lo direto no streaming, mas a praticamente abandonar qualquer campanha de marketing.

Sim, o filme já está disponível nos altos mares "torrenTiais" há tempos, mas num espírito de solidariedade eu o esperei sair no streaming até descobrir que não basta pagar um, tem que pagar outro dentro do um, e eu já estou de saco cheio de pagar 10 streamings diferentes e sempre ter que pagar mais um pra ainda assim continuar sem acesso a 90% do que quero ver, me fazendo desistir e aceitar o fruto do nefasto vazamento que teria ocorrido em Hong Kong e cujo perpetrador já está preso.

Mas indo ao filme, audiovisualmente é um deleite! O capricho gráfico transcendeu! Sendo muito mais sofisticado e belo que The Legend of Korra (2012-2014), que já é mais caprichada que Avatar: The Last Airbender (2005-2008), a série original, o que de modo algum muda o fato dessa primeira continuar sendo o que há de melhor em toda a franquia.

Digo mais, supera em muito a versão live action da Netflix numa situação, a mim, inédita! Sim, a arte 2D, ainda que com elementos 3D, é muito mais deslumbrante que os CGIs duvidosos e claustrofobia de estúdio que a Netflix deu a sua versão, que consegue a façanha de, nesse sentido, perder para a versão de Shymalan de 2010.

E só pra deixar claro temos:

- AVATAR: THE LAST AIRBENDER (Avatar: O Último Mestre do Ar)
Três temporadas (61 episódios) de 2005 a 2008 pela Nickelodeon;
- AVATAR: THE LAST AIRBENDER (2010)
Filme único dirigido por M. Night Shyamalan cobrindo a primeira temporada da série;
- AVATAR: THE LEGEND OF KORRA (A Lenda de Korra)
Seria derivada com 4 temporadas (52 episódios) de 2012 a 2014, ambientada cerca de meio século depois da série original;
- AVATAR: THE LAST AIRBENDER (2024-2026)
Live action da Netflix com duas temporadas e 15 episódios;
- AVATAR AANG: THE LAST AIRBENDER (2026)
Longa de animação atual.

E se os títulos podem confundir, não se esqueça que ainda tem os "Avatar" do James Cameron.

Ok, mas focando essa última edição, o visual arrebatador é, a meu ver, o que há de melhor. Mas boa também a nostalgia de trazer os personagens originais em suas versões adultas, 13 anos depois dos eventos da série original, e assim, fazer a conexão com a Lenda de Korra, no qual Aang já morreu e só aparece em flashbacks, embora alguns desses antigos companheiros ainda estejam vivos tendo tido seus filhos.

A trama básica: a descoberta de um outro dobrador de ar, Tagah, congelado há muito mais tempo que Aang, de uma época onde seus inimigos eram os dobradores de Terra. E um movimento de não-dobradores, os Denied (Negados?) com uma espécie de agenda de inveja que não hesita em tentar matar o próprio Avatar.

Como nesse momento Aang ainda era o último dobrador de ar, a descoberta de Tagah é uma grande alegria, ainda mais quando ele declara existir um artefato capaz de conferir a dobra de ar a qualquer pessoa, como aliás tinha sido conferida a ele pela Avatar do ar Sonam, avatar esta que, porém, Aang nunca conheceu por não estar acessível no seu panteão de memórias das encarnações anteriores. Sendo a ações dos Deniers que levam a essa descoberta, ocorre então, a princípio, uma corrida contra o tempo para chegarem ao outro lado do mundo, em áreas de perpétuas tempestades sobrenaturais intransponíveis para que Tagah e Aang, após reunir toda a velha turma, cheguem antes dos Deniers em busca, enfim, do mesmo artefato que poderia dar poderes de dobra a todos.

Essa premissa tem o mérito de conectar com eventos similares em A Lenda de Korra, onde já existe uma família de airbenders, descendentes de Aang, quando então diversos outros passam a ser subitamente ativados após os eventos sobrenaturais do fim da segunda temporada. E embora nada disso tivesse sido citado antes, a justificativa para o mistério acaba sendo boa. O personagem Tagah é fascinante e estória da Avatar Sonam mais ainda.

Os problemas ocorrem então na narrativa. Ela é rápida demais! Condensaram num filme assunto para uma temporada inteira, aí tudo fica parecendo apressado. Os "negados" se parecem muito com os vilões não dobradores de A Lenda de Korra, e Tagah acaba se parecendo muito com Zaheer, o renegado que também se torna dobrador de ar, num contexto que até já apresentava uma tensão entre dobradores de Terra e de Ar. Não há tempo para desenvolver o que mudou nos personagens originais, todos demonstrando algum amadurecimento, mas também repetindo alguns de seus clichês clássicos, em especial Sokka. Se isso fosse feito num prazo mais longo, seria apenas normal, mas em tão pouco tempo, menos de 100 minutos, a correria fica desenfreada.

Chega a ser doloroso a virada de casaca de Tagah ser tão brusca e completamente desnecessária, a não ser para estabelecê-lo de imediato como um vilão, quando seria muito mais natural ele ter enrolado e manipulado todos até o último minuto, ou até mesmo tendo levado adiante seu plano com total aprovação de Aang! Considerando que o objetivo inicial dos dois era o mesmo. Era o tipo de divergência que surgiria espontaneamente de qualquer forma!

Tão bruscos quanto vieram os problemas, vem também as soluções. A passagem pelo mundo espiritual é muito apressada, sempre gerando aquela confusão a respeito de ser possível ou não dobrar elementos lá. E pra completar, o que era um artefato que prometia dar apenas dobra de ar, como havia ocorrido em A Lenda de Korra, no final parece conceber também dobras de outros elementos.

Tudo poderia ser explicado e devidamente encaixado com mais tempo, mas correndo tudo em menos de duas horas, fica complicado mesmo. Ainda assim acho o saldo positivo, revisitando os personagens originais e já fazendo conexões com a Lenda de Korra, sendo então a única outra coisa original além das duas séries animadas, considerando que o filme de 2010 e a série da Netflix são remakes da primeira.

Mais trágico foi o produtores terem desistido de lançar o filme nos cinemas. Putz! Seria um evento pros fãs da saga! EU IRIA! E se duvidar ainda arranjava um cosplay! Duvido que fosse flopar!

Mesmo com os problemas apontados na narrativa, Avatar Aang é tão visualmente arrebatador que só posso lamentar não o telo visto numa tela gigante. Ver menos

2 de Agosto

No entanto, continuam na INEXISTÊNCIA candidaturas que reflitam essa massiva maioria silenciosa. Enquanto o povo é conservador cultural e progressista econômico, os plutocratas conseguiram reduzir as opções a pacotes fechados onde quem quer o progressimo econômico tem que levar junto também o cultural (Ex-querda) e quem quer o conservadorismo cultural tem que engolir junto o ainda pior liberalismo econômico (neoconservadorismo). E ainda mais nefasto, a opção de "centro" que nós temos é justamente a fusão do que há de pior nos dois. E qualquer um que se atrever a efetivamente defender os interesses do povo será taxado de fascista pela esquerda e comunista pela direita, e todos os campos políticos se unirão para eliminá-lo das opções eleitorais.

André Luiz Dos Reis
2 de Agosto

Pesquisa DATAFOLHA de meados de julho aponta o mesmo resultado que outras similares desde 2013: o brasileiro é moderadamente conservador em termos de valores, e moderadamente de esquerda em tópicos econômicos e sociais.

O melhor do novo levantamento é a possibilidade de comparar os resultados com uma série histórica que agora incluem cinco pesquisas do mesmo instituto ao longo de treze anos repletos de crises, prisões de Presidentes populares, idas e vindas, polarizações e outros bichos. O brasileiro é contrário à liberação do uso de drogas. Em todos os cinco levantamentos, mais de 80% dos entrevistados se posicionaram pela proibição e alegaram os efeitos deletérios das drogas. Nesse ano, 85% querem proibição, e apenas 13% liberação. A perspectiva da sociedade sobre esse tema não poderia ser mais clara. Ela não muda muito com a faixa etária. Os recortes mais jovens e mais escolarizados também mostram apoio de pelo menos 80% à proibição.

76% pensam que acreditar em Deus torna as pessoas melhores. Há um declínio desse índice ao longo de toda a série [em 2013, eram 87%], e tomba nos recortes mais jovens [apenas 53% entre 16 e 24 anos concordam com isso, proporção que aumenta mais de 10 pp já no recorte etário posterior] mas o brasileiro continua desconfiando fortemente de ateus.

70% querem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, índice semelhante ao primeiro levantamento, em 2013 [72%]. Houve picos [76% em 2014] e pisos [65% em 2022] ao longo dos anos, mas a posição majoritária a favor de uma redução da maioridade penal é incontestável, e não sofre grandes mudanças por faixa etária e escolaridade.

Isso pode estar vinculado à opinião de que a causa da criminalidade é a maldade humana [64%], que se mantém praticamente idêntica com a da primeira pesquisa, em 2013 [63%]. A tese de que o crime é resultado da desigualdade social tem um bom público [cerca de um terço dos entrevistados] mas é minoritária. Embora essa posição caia um pouco nos recortes mais jovens [fica em cerca de 60%], não há sinal de que a sociedade brasileira vai dar uma guinada sobre o assunto.

A pena de morte voltou a ganhar pontos. Havia um empate técnico entre seus defensores e opositores em 2013, mas depois se criou uma maioria sólida contra ela em 2022 [61% a 36%], que muitos interpretaram como influência evangélica. A maré virou, e a distância entre os dois grupos caiu incríveis 16 pp em apenas 4 anos. Os opositores continuam sendo a maioria [52% a 43%] mas não de forma folgada. Mais ainda: a mudança é puxada pelos mais jovens. No recorte entre 24 e 35 anos já há empate técnico entre ambas as posições. Entre 16 e 24 anos, temos 53% contrários e 43% favoráveis. Os opositores da pena de morte só lideram folgadamente o recorte acima de 60 anos. É um sinal inequívoco que a sociedade clama por penas mais duras.

O brasileiro se mantém tolerante com a homossexualidade. 72% afirmam que ela deve ser aceita, contra 20% que defendem que ela deve ser desencorajada. Não são números substancialmente divergentes de 2013 [67% a 25%], embora estejam longes do pico de tolerância de 2022 [79% a 16%].

O conservadorismo moderado da população é acompanhado por uma sensibilidade econômico-social francamente anti-liberal. O brasileiro está muito distante de posturas socialistas nesse campo, mas sua mentalidade é muito mais afim à esquerda.

O discurso anti-imigracionista da direita ocidental não tem eco forte entre nós. 74% cravam que imigrantes pobres mais ajudam ao desenvolvimento local do que atrapalham. Cerca de 70% concordam que o governo tem de ajudar as empresas nacionais, um índice que só cresceu desde 2013 [eram 57% naquele momento]. 71% dizem que cabe principalmente ao Estado impulsionar o crescimento econômico [só 24% colocam fé no investimento privado como motor do desenvolvimento].

E apesar de toda a propaganda contrária, há uma maioria sólida e estável ao longo dos cinco levantamentos a favor das leis trabalhistas. 56% dizem que ela protege os trabalhadores mais do que atrapalha as empresas, contra 36% que tem a visão oposta. Em 2013, tínhamos 54% a 34%. A diferença entre os dois grupos sempre se manteve próxima de 20 pp ao longo desses 13 anos. Nos recortes mais jovens, os defensores das leis trabalhistas superam os críticos por uma diferença que chega a 40 pp. A geração até 35 anos de idade quer mais CLT, e não menos.

Por outro lado, se consolidou na mentalidade nacional a ideia de que é necessário ser independente do governo [65% a 31%, contra um empate técnico 13 anos atrás]. Há quase um empate técnico entre os que defendem serviços púbicos de educação e saúde, e os que preferem pagar menos impostos e contratá-los de forma privada [44% a 50%]. Ocorre o mesmo entre os que defendem maior intervençao do governo para coibir abuso de empresas e os que preferem uma menor regulamentação [50% a 43%], embora nesse quesito os estratos mais jovens tendam a defender de forma mais forte a intervenção estatal.

O brasileiro continua pensando que a pobreza é causada pela desigualdade social e não pela preguiça [58% a 40%], mas a diferença entre os dois grupos é a menor da sequência histórica [chegou a ser de mais 50 pp em pesquisas anteriores], ainda que a queda da diferença possa ser circunstancial [ela permanece enorme nos estratos mais jovens [até 35 anos].

Se existe uma instituição que sai perdendo nessa pesquisa é a do sindicato. A maioria dos entrevistados diz que os sindicatos servem mais à política do que aos trabalhadores [55% a 40%]. Essa percepção está disseminada em todas as faixas etárias e não se altera substancialmente nos recortes por escolaridade.

E chegamos à grande questão. No Brasil, temos candidatos que tendem ao liberalismo em todos os quesitos. Candidatos conservadores no campo dos valores, mas radicalmente neoliberais em todos os demais. E esquerdistas que odeiam até o talo qualquer conservadorismo. Continuamos com um problema sério de representação política-partidária. Algo que deveria ser estudado. Por que as agendas dos candidatos são incapazes de refletir a sensibilidade geral dos brasileiros? Onde estão nossos conservadores com consciência social ou nossos trabalhistas de mentalidade conservadora [como Getúlio]?


1 de Agosto

Bem dito! A ridícula "diversidade" que Hollywood quer empurrar em qualquer contexto não passa de vaidade patológica e obsessiva auto afirmação de virtude! Cometendo não apenas anacronismos, mas incorrendo em atos de verdadeiro racismo, muito piores do que aqueles que fingem combater. Ainda mais constrangedor é ver "especialistas" se fingindo de sábios por achar uma ou outra lacuna que permite dizer que "Fonte Histórica X" nunca disse que tal personagem era de tal forma. Como se um conteúdo produzido num contexto histórico étnico restrito, não precisando dizer que seus personagens eram daquele pool étnico, imediatamente autorizasse alguém a torná-lo numa etnia completamente diferente!

Por fim, pergunte-se por que apenas cineastas brancos fazem essa falsificação racial! Não se vê o mesmo entre cineastas não-brancos!

Thomas de Toledo
30 de Julho

A DIVERSIDADE SEM DIVERSIDADE DE HOLLYWOOD

Hollywood se propaga como o cume moral da diversidade racial, sexual e de gênero. Mas basta observar seus lançamentos recentes para perceber um paradoxo hipócrita: a diversidade que aparece na tela raramente representa o mundo. Representa a Califórnia revelando-se no mito de Narciso.

Ou seja, a indústria cinematográfica estadunidense olha para o espelho e se acha a coisa mais linda que existe no mundo. Aplaude a si mesma acreditando que ela é a própria humanidade, vivendo uma espécie de Dream of Californication: a versão costa-oeste do American Dream, que trocou a selvageria do Velho Oeste pela tela do Silver Screen.

Mas vamos aos casos concretos...

A recente adaptação de Odisseia reúne atores de diferentes origens étnicas. Há negros, asiáticos e tantos outros grupos para que "o mundo veja a universalidade da obra de Homero". A universalidade foi tão longe que esqueceu justamente os gregos. A origem heládica e mediterrânica da obra, cujo epicentro era o mar Egeu, simplesmente desapareceu.

O mesmo ocorreu em Queen Cleopatra, da Netflix. A produção colocou uma atriz britânica para representar uma egípcia de família grega. Legal! Afinal, durante décadas ninguém reclamou dos épicos hollywoodianos colocando faraós loiros de olhos azuis. Mas quando se coloca uma mulher negra, aí os críticos revelam seu racismo estrutural. O discurso é bonito, se baseia em problemas reais da sociedade, mas... cadê os egípcios? Nesse caso, as egípcias? O povo egípcio foi praticamente ignorado nos papéis centrais e seus protestos foram rapidamente classificados como racismo. Sacou a ironia?

Esse padrão se repete continuamente. Histórias da Pérsia quase nunca contam com iranianos. Aliás, o Príncipe da Pérsia era Jake Gyllenhaal, um ator nascido em Los Angeles. O Último dos Moicanos? Daniel Day-Lewis, um londrino que construiu boa parte da carreira nos Estados Unidos. O Último Samurai? Tom Cruise, outro estadunidense. Será que Hollywood colocaria um palestino para interpretar Jesus? Bom, se ela não escolheu nem um mexicano para interpretar um protagonista maia, imagine reconhecer que palestinos existem...

Mas essa diversidade é importante porque gera empoderamento feminino, principalmente de mulheres negras, não é mesmo? Talvez sim... mas, novamente, à custa da falsificação da História.

Em The Woman King (2022), Hollywood transformou as guerreiras do Reino do Daomé em símbolo de emancipação feminina. A narrativa, porém, minimiza um aspecto central da história do reino: sua participação ativa no tráfico atlântico de escravizados. Embora o filme reconheça parcialmente esse contexto, o protagonismo heroico acaba obscurecendo o fato de que o Daomé capturou e comercializou milhares de africanos para traficantes europeus durante séculos. A complexidade histórica cede lugar à construção de um mito contemporâneo. Aí fica a questão: será que realmente não sabiam? Ou resolveram passar uma borracha? Vai saber...

A lógica reaparece até mesmo na fantasia. Em Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016), a presidente do Congresso Mágico dos Estados Unidos é uma mulher negra na década de 1920. Óbvio que, numa obra de ficção, a autora tem liberdade para construir seu universo. O problema surge quando essa representação produz uma imagem mais progressista do que a própria sociedade estadunidense da época. Em pleno período das leis de segregação racial (Jim Crow), a escolha acaba funcionando como uma espécie de apagamento simbólico do racismo realmente existente, oferecendo ao público uma versão idealizada do passado. Mesmo que seja no mundo mágico de Harry Potter.

Há casos semelhantes em produções sobre a Antiguidade e a Europa antiga. A série Bárbaros, da Netflix, ambientada na Germânia do século I EC, incluiu uma personagem negra vivendo entre tribos germânicas sem qualquer contextualização histórica. Claro que a presença de indivíduos africanos no Império Romano é bem documentada, sobretudo nas regiões mediterrânicas, mas isso não significa que populações da Germânia fossem etnicamente semelhantes às sociedades multiculturais contemporâneas. Como o próprio nome da série diz, tratam-se dos "bárbaros", e não dos "civilizados" romanos, que gostavam de exibir em desfiles e gaiolas os líderes das tribos derrotadas.

Tudo isso parte de um anacronismo. O mundo antigo não era globalizado, apesar de alguns arqueólogos e historiadores europeus tentarem encaixar essa palavra onde ela não cabe. Sim, existiam migrações, comércio e guerras, mas não a intensa diáspora étnica produzida pela expansão colonial europeia, pelo tráfico atlântico de escravizados, pela industrialização e pela globalização dos séculos XIX, XX e XXI. Projetar a composição demográfica de Los Angeles sobre a Grécia homérica, o Egito ptolomaico ou a Germânia bárbara significa substituir a História pela realidade contemporânea da Califórnia.

Curiosamente, essa lógica é seletiva. Dificilmente alguém defenderia um filme sobre o Império Mali sem africanos. Mas gregos, egípcios e iranianos parecem ter se tornado dispensáveis em suas próprias histórias.

Também é um erro confundir essa agenda com a esquerda. Não existe tradição de esquerda sem debate sobre classe, imperialismo e questão nacional. A agenda woke nasce de outra matriz intelectual e desloca o foco das estruturas econômicas para a representação simbólica. São debates diferentes, embora muitas vezes apareçam associados.

Talvez Hollywood precise aprender que a verdadeira diversidade começa quando cada povo recebe espaço para contar sua própria história. Enquanto Hollywood continuar olhando apenas para o próprio umbigo, continuará confundindo o espelho da Califórnia com o mundo. O nome disso, todos já sabemos: imperialismo cultural.

P.S.: Agora aguardem o próximo lançamento hollywoodiano da diversidade: Pelé, o japonês. Ao vivo e a cores...


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